22.1.09

 

Teacher Burnout de A. G. Dworkin
 
            Neste artigo é referido o fenómeno do esgotamento / desgaste na actividade docente. Para o efeito, o autor recorre à análise de: perspectivas psico-sociológicas para o compreender; estudos de investigação para verificar a sua magnitude; profes-sores mais susceptíveis de o adquirirem; formas de recuperação / apoio; e atitudes decorrentes do contacto” com o dito fenómeno.
            Tanto os psicólogos como os sociólogos colocam a hipótese de que o “stressexcessivo na profissão docente conduz os professores a sentirem-se exaustos e, consequentemente, tendentes a denegrir os seus alunos. Contudo se, por um lado, o ponto de vista psicológico analisa o desgaste como um problema clínico, a perspectiva sociológica destaca a natureza dos mecanismos sócio-organizacionais no desencadear do mesmo.
            De entre os psicólogos que investigaram a origem, o desenvolvimento e as consequências do desgaste, o autor cita, entre outros, os nomes de Freudemberger, Maslach e Jackson, Friesen, Cedoline e Chermin. De uma maneira geral, estes investigadores referem que o processo de esgotamento passa por fases cada vez mais complexas de gerir, nas quais o “stressexcessivo associado quer a factores físicos quer psíquicos é estímulo para o desencadear do processo. Em contrapartida, os sociólogos afirmam que o “stresstem origem na estrutura social e organizacional da sociedade e da escola, respectivamente. Em relação à componente escolar, os professores, enquanto estudantes dos ramos educacionais, criaram expectativas positivas sobre o processo ensino-aprendizagem que, mais tarde, em contacto com a realidade prática, saem defraudadas. Por exemplo, os professores não foram preparados para as burocracias existentes na escola, o que, obviamente, restringe-lhes a sua verdadeira função de educador.
            No que concerne à extensão / magnitude do esgotamento, o autor refere vários estudos realizados em vários países onde se avalia mais o “stress” do que os níveis de esgotamento, revelando os mesmos a extrema dificuldade em generalizar as conclu-sões neles inserida.
            Apesar de o fenómeno do esgotamento acontecer em todas as sociedades, nem todos os professores são igualmente susceptíveis de o adquirirem. Essa probabili-dade de ocorrência depende de factores individuais (perspectiva psicológica) e demo-gráfico - organizacionais (perspectiva sociológica).
            Relativamente aos factores individuais, o autor refere, com base na opinião de alguns psicólogos, que indivíduos neuróticos, introvertidos e com dificuldades de relaxamento possuem mais possibilidades de desgaste. Por outro lado, a experiência profissional, o tamanho da escola, o nível de ensino leccionado, o estilo de administração dos orgãos escolares e os comportamentos dos alunos face ao trabalho escolar constituem exemplos de factores nos quais se alicerça o ponto de vista socio-lógico. Na minha opinião, os professores estagiários são, porventura, os que estão mais predispostos ao “stress” porque simultaneamente têm que sobreviver ao impacto inicial de ter uma turma com todas as responsabilidades inerentes e ser avaliado com outros colegas estagiários. Neste contexto, o resultado de um possível “stress” acaba por afectar não apenas o bem-estar docente, mas a própria qualidade do ensino e a relação com os alunos.
            Em relação ao apoio social perante um esgotamento, existem (no artigo) ideias discordantes acerca das pessoas que podem fornecer um melhor apoio. Para fundamentar a ideia anterior, o autor cita os nomes de Malach e Russel. Enquanto Malach refere a importância de outros docentes na protecção contra o “stress”, Russel afirma que os colegas têm tendência para alimentar a ansiedade, criando contágio emocional. Segundo Russel, a liderança dos orgãos directivos da escola nos quais o presidente é a parte mais visível, desempenham um papel fundamental na diminuição da relação funcional entre o “stress” e o esgotamento. Porém se o professor se encontra já numa fase adiantada de esgotamento, então as soluções clínicas devem passar, entre outras, pelo uso de práticas de saúde e terapia de relaxamento. Na minha opinião, a revalorização social da profissão docente (a nível político) pode combater e prevenir os efeitos negativos do “stress”.
            Decorrente do fenómeno do esgotamento, os professores tomam atitudes para evitar que tal volte a acontecer. A mais vulgar é o absentismo, embora a mais desejada seja o abandono efectivo através da mudança profissional. Contudo, esta última atitude nem sempre (ou quase sempre) é alcançada, pois depende da disponibilidade de oportunidades de emprego fora do ensino.


 

 
Teacher Placement and School Staffing
de A. J. Watson e N. G. Hatton
 
            O artigo “Teacher Placement and School Staffing” está dividido em três vertentes: métodos de colocação dos docentes ao nível de escola; problemas resultantes da aplicação daqueles métodos; e propostas (sob a forma de modelo) para solucionar aqueles problemas.
            Em relação aos métodos de colocação dos docentes, o autor interroga-se sobre a natureza quantitativa e qualitativa de docentes para uma determinada escola. Neste contexto, enquanto a quantidade de docentes está directamente relacionada com o aspecto financeiro, o processo de selecção enquadra-se em factores histórico-cultu-rais de cada país. Para ilustrar as ideias anteriores, o autor recorre à análise dos sistemas alemão, canadiano, suíço, inglês e australiano: O sistema educacional alemão é centralizado, hierárquico e uniforme nas várias regiões do país; no Canadá e Inglaterra operam influências centrais como locais, onde o docente é escolhido através de uma influente comissão entrevistadora; na Suiça, a maioria dos cantões delega a autoridade em quadros educacionais eleitos pela comunidade que por sua vez nomeiam uma subcomissão para seleccionar os candidatos; e na Austrália, a seriação varia conforme os estados e/ou regiões (em alguns a escolha é conduzida pelo departamento de educação e noutros a escolha centra-se na escola). Na minha opinião, a Suiça é, sem dúvida (de entre os países citados), aquele que possui o sistema mais capaz de fomentar a responsabilidade entre os docentes e, simultaneamente, fortalecê-los profissional-mente.
            A aplicabilidade dos métodos, atrás citados, depende de factores espácio-temporais. De entre estes, o autor destaca: localidades de difícil colocação e flutuações docentes (tanto a nível qualitativo como quantitativo). Segundo o autor, um método de seriação de pessoal (docente e não docente) que tenha somente em conta a classificação profissional tem, como consequência, a procura por parte daqueles de áreas geográficas da sua preferência. Deste modo, os locais menos agradáveis são preenchidos pelos indivíduos menos experientes. O pouco entusiasmo para preencher certos lugares varia consoante os países. Por exemplo, no Canadá, as áreas preteridas situam-se nas longínquas zonas rurais; enquanto, nos Estados Unidos, tais localidades têm sido identificadas nos distritos centrais das grandes cidades. Este problema agrava-se quando existem falta e/ou excesso de transferência de pessoal escolar. No que concerne ao pessoal docente, uma ampla carência traduz-se na qualidade do ensino e revela-se mais problemática em sistemas descentralizados. No entanto, por exemplo, na Suiça, a carência de docentes depende mais do nível da mobilidade administrativa entre os vários cantões.
            De uma forma geral, um déficit de docentes passa por medidas centrais para todo o sistema. De entre estas, o autor realça: atraír mais estudantes para cursos de educação através de bolsas de estudo, aumentar os salários, facilitar o recrutamento de professores de outros estados (com sistemas de ensino credíveis) através do reconheci-mento das habilitações académicas e diminuir (temporariamente) os requisitos de ingres-so.
            Para concluir o artigo, o autor faz referência a duas abordagens diferenciadas para tentar resolver os problemas de recrutamento do pessoal da educação: uma é o “modelo déficit” e a outra é o “modelo desafio”. Cada um dos modelos parte de diferentes pressupostos e propõe um conjunto de estratégias práticas. Com efeito, enquanto a abordagem déficit assume que os professores sejam relutantes em escolher áreas escolares rotuladas de difíceis e propõe mínimos obrigatórios de nomeação e incentivos para compensar os déficits; a abordagem desafio assume que os professores possam ganhar motivação intrínseca, trabalhando em diferentes localizações. Na prática, um sistema educacional usa aspectos de ambos os modelos: a abordagem déficit é usada como resposta a necessidades urgentes, onde se realça a componente quantitativa; a abordagem desafio requer planeamento a longo prazo e enfatiza a componente qualitativa.
            Convém referir que, qualquer que seja o modelo empregue, este deve favore-cer (o mais possível) uma educação de qualidade, contribuindo, deste modo, para a igualdade de oportunidades.


 

 
Teacher Recruitment and Induction de R. Bolam
 
            O artigo “Teacher Recruitment and Induction” foca o processo de recrutamento dos docentes (em particular dos professores estagiários), delineando os factores que afectam a sua formulação, implementação e eficácia.
            A política de recrutamento de professores é, de uma forma geral, afectada por factores económico-demográficos. Por outro lado, existem políticas específicas que têm em conta argumentos sócio-culturais, como por exemplo, as habilitações neces-sárias para exercer a profissão e condicionalismos étnico-políticos. Também o estatuto que a sociedade (política) “oferece” ao professor através da natureza da estrutura da carreira (em duração, grau de autonomia, expectativas salariais e incentivos para regiões geográficas desfavorecidas) afectam decisivamente o encorajamento do docente para esta profissão. O autor exemplifica estas questões de recrutamento, recorrendo à análise de políticas educacionais em vários países. De entre estes, cita países onde as habilitações não constituem o aspecto essencial no recrutamento (países islâmicos) e, em contraste, no Reino Unido, o método de selecção é condicionado pelo sucesso aca-démico-profissional.
            Consequentemente, uma escolarização bem sucedida está directamente depen-dente da qualidade do corpo docente, sendo esta última afectada pelo processo de recrutamento. Por exemplo, uma medida que o autor refere para incentivar o recruta-mento é promover o reconhecimento mútuo das habilitações académicas entre os países e/ou as regiões.
            Dentro do processo de recrutamento, tem especial importância o primeiro ano de ensino através de um período de estágio. Este ano de preparação inicial visa analisar a adequação profissional do docente ao ensino e deve incluir componentes, tais como, apoio por um colega mais experiente pertencente ao quadro da escola (orientador ou tutor profissional), tempo para preparação de actividades extra-curriculares e apoio activo dos directores escolares nas actividades por aquele desenvolvidas na comunidade educativa. O orientador torna-se, em princípio, um agente importante na socialização do docente estagiário pois coloca-o em contacto com a realidade escolar. Nesta perspectiva, devem constituir as suas funções, entre outras, orientar as aulas dos estagiários através da planificação e observação das mesmas, participar na ligação do estagiário à universidade e avaliar com sentido crítico o trabalho desenvolvido pelo dito professor.
            O autor termina o artigo com a análise sobre a pesquisa científica nesta área, isto é, pretende avaliar a eficácia e consequências dos vários métodos de selecção e/ou recrutamento de docentes e os programas científico-pedagógicos a estes fornecidos. Neste contexto, assume especial importância o método de escolha de orientadores e estagiários. Contudo, torna-se evidente que, apesar de existirem em muitos países influentes organizações educacionais que produzem relatórios sobre esta problemática, a prioridade na pesquisa coaduna-se com critérios políticos de cada região e/ou país. Deste modo, a evolução cultural do Homem, será tanto mais profunda quanto o modelo político em que ele se inscreve, porque a política, quer se queira quer não, é a arte, por excelência, que cria, organiza e, principalmente, implementa objectivos de que a pes-quisa no recrutamento é um exemplo.

 

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