24.1.09

 

“A FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA PERSPECTIVA DE VÁRIOS MODELOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL”
 
   
    A análise que faço sobre o processo de formação dos professores, quer de formação inicial quer de formação contínua é apoiada, essencialmente, em alguns artigos e/ ou livros que se lhes referem e na minha experiência (de 5 anos lectivos seguidos) no cargo de Orientador de Estágio de Matemática.
    A formação inicial de professores é uma função que, progressivamente ao longo da história, vem sendo realizada por instituições específicas e mediante um currículo que estabelece a sequência e conteúdo institucional do programa de formação. Esta formação inicial cumpre basicamente três funções: formação/treino, controlo da certificação/permissão e, por outro lado, agente de mudança (ou deve ser).
    Ao falar-se de currículo da formação inicial de professores, é necessário ter em conta qual o modelo de escola, de ensino e de professor se aceita como válido.
    Assim, tendo em atenção uma orientação conceptual (sobre a formação de professores) em determinada instituição de ensino superior universitário ou politécnico como, por exemplo, académica, tecnológica ou personalista, podemos obter diferentes objectivos na formação: o professor como especialista numa disciplina, como técnico ou como pessoa.
    Neste sentido, a identificação de metas e finalidades gerais, tanto na formação académica (científica) como na formação prática (pedagógica) assumem um maior relevo pois irá permitir saber que tipo de professor se está a formar e para que contexto.
    Bártolo Paiva de CAMPOS( 1995) na obra :Formação de Professores em Portugal, na pág. 13 fala-nos de dois modelos: integrado e sequencial, em que o primeiro, “a entrada faz-se de imediato num curso de formação de professores; no modelo sequencial, tal decisão efectua-se, quase sempre, após uma formação académica que, em geral, não se destina apenas à formação de professores. O modelo integrado é o mais divulgado actualmente em Portugal.(...) em 1993-94, cerca de três quartos dos alunos estavam inscritos em cursos organizados segundo este modelo.” Além destes dois modelos, Campos, ainda nos refere a Profissionalização em serviço e do Complemento de Habilitações dos professores, os quais são, obviamente, duas formas de valorizar a formação académica e, consequentemente, a formação prática da componente pedagógica, conforme nos refere Mialaret, G. (1991).
    É neste contexto que a declaração de Bolonha assume especial importância pois refere que a estrutura curricular sobre a formação de professores “ pressupõe um outro entendimento do conceito de currículo, que já não é uma colecção ordenada de matérias a ensinar, mas que implica um outro olhar sobre a aprendizagem”, quer no âmbito dos graus académicos quer na creditação da formação e experiência profissional quer, ainda, em termos de mercado do trabalho dentro do espaço da União Europeia.
    As relações entre o desenvolvimento profissional e o desenvolvimento da escola, do currículo, do ensino e do professor devem, necessariamente, ser concretizadas em propostas que permitam estruturar e dar uma configuração conceptual e pragmática ao desenvolvimento profissional dos professores. Daí que, passarei, de seguida, a um nível mais concreto, onde analisarei os diferentes modelos que se têm vindo a elaborar relativamente ao desenvolvimento profissional dos professores. Um modelo dá resposta a algumas concepções prévias relativas às relações entre investigação e formação, a uma concepção de professor, assim com a algumas teorias sobre as estratégias mais adequadas para facilitar a sua aprendizagem.
    Assim, pode-se referir os seguintes modelos profissionais: Modelo profissional baseado na reflexão, no apoio profissional e na supervisão; Modelo profissional através do desenvolvimento e inovação curricular e a formação no centro de professores; Modelo profissional através de cursos de formação e Modelo profissional através da investigação.
    O modelo que me parece mais abrangente é aquele que se alicerça no desenvolvimento e inovação curricular e a formação no centro de professores. Com efeito, este modelo de desenvolvimento profissional tem como objectivo implicar o maior número possível de membros da comunidade escolar no desenvolvimento de um projecto que pode ser de inovação educativa, ou de auto-revisão institucional, com o objectivo de melhorar a qualidade da educação, assim com aumentar os níveis de colaboração e autonomia da escola na resolução dos seus próprios problemas.
    Em síntese, apesar de existirem diferentes modalidades de desenvolvimento profissional em função de diversos critérios, torna-se importante avaliar, em cada caso, qual é o critério e/ ou modelo a ter em conta para seleccionar uma ou outra modalidade de formação, tendo em consideração a organização cultural da escola e os diferentes níveis culturais dos professores e o seu meio envolvente. Aliás, penso que , a nível legislativo, deveriam ser alterados alguns artigos da actual Lei de Bases do Sistema Educativo tendentes a harmonizar modelos de formação adequados às novas exigências que se colocam à escola provenientes de diversas mudanças internas e externas. 
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